quinta-feira, 8 de maio de 2008

Caminheiro

Levantas-te
sais de casa e deixas-te abraçar pelo sol
caminhas pelos trilhos tanto percorridos
e ainda tão desconhecidos.
Cumprimentas as árvores
e os pássaros que nelas vivem
as pessoas que por ti passam
e que ao sol também caminham.
E fundes-te na vida.
Porque dos dias vindouros
nada sabes
e quando souberes
vindouros já não serão.
Porque tu nada importas
para o que te rodeia
se de tudo não fizeres parte
na medida exacta de todas as outras coisas.
Porque o saber de nada vale
se nos afastar do mundo,
se nos fizer sentir melhores
dos que nada sabem.
Porque esses não existem:
Existe apenas a nossa cegueira.

Se assim caminhares pela vida, valorizando tudo o que encontras, valorizas também as tuas decisões, passadas, presentes e futuras, e deixas de ter medo de viver. Porque a plantinha que pisaste ao passar sabia que iria ser pisada: se não resistir ao estrago voltará a nascer na próxima primavera. Porque não foi a plantinha que morreu, apenas o que tu conheces dela. Porque nada na vida depende de ti: apenas tu próprio.

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