sábado, 28 de junho de 2008

A árvore do conhecimento

Ontem li um artigo na net que falava, entre outras coisas, na concessão da virgindade eterna (a uma terra), como se de um prémio se tratasse. Lembrei-me de imediato de um programa de rádio onde, com grande estupefacção minha, se afirmava que o principal motivo da impotência sexual masculina residia na emancipação sexual feminina. Fiquei tão chocada que não avancei no sinal verde, e pior, interpretei as buzinadelas que não tardaram a surgir como um protesto pelo que eu tinha acabado de ouvir (nada impedia de estarmos, em fila, a ouvir a mesma estação de radio!).
O facto é que os estudos efectuados identificam que o facto das mulheres terem mais do que um parceiro sexual ao longo da sua vida provoca, nos homens, um sentimento parecido com a angústia de não ser tão bom quanto os outros, afectando o seu desempenho sexual. Uma coisa é certa: fiquei desde logo esclarecida sobre o motivo pelo qual eles sonham tanto com a virgindade, facto que até àquele momento não tinha entendido (e cá entre nós eles também não).
Agora digam lá se não é injusto imputar à experiência, ao saber, ao desfruto do prazer da arte de bem amar, esta responsabilidade! Primeiro acusam-nos de não sermos boas na cama, de sermos preconceituosas, de não sabermos dar e receber prazer, de terem de procurar fora de casa o prazer que as parceiras não lhes conseguiam dar, tendo mesmo de recorrer a conhecedoras mais tecnicamente certificadas, etc, etc.
Agora acusam-nos de saber demais, de exigirmos "aquela qualidade" que eles afinal não nos conseguiam proporcionar e que nós não conseguíamos verbalizar, por puro desconhecimento.
Ele há coisas do arco da velha.
Mas acalmem-se, homens deste mundo: nós temos "aquela" velha paciência para vos ensinar a serem exactamente tudo o que queremos que sejam.

sábado, 21 de junho de 2008

Complicar o simples ou simplificar o complicado?

Ignorância ou sapiência?
Talvez apenas sobrevivência...

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Moi, non plus

Às vezes gostaria de me sentir a pessoa mais horrível na face da terra, mas não sinto. Deve ser do orgulho que dizem ser forte. Ou da maldita razão, da mania de conseguir sempre justificar tudo, de me sentir dona da minha verdade.
Magoo os outros e não é isso que me faz voltar atrás. Não cedo no meu não querer e quando não tenho o que quero não me sinto frustrada por muito tempo. Sinto-me uma espécie de enguia: escorregadia, difícil de agarrar, sempre em movimento.
Apareceste a meio da noite para declarar o teu amor. Não abdiquei do meu sono. Não me sensibilizei com o teu sentimento, não inventei um meu. Disse o que sentia, com toda a lucidez própria da sonolência, com todas as palavras nuas, despojadas de ornamentos: não sinto o mesmo por ti.
De manhã olhavas-me triste, sentado no canto da cama que apenas dividimos. Eu senti a tua tristeza e sinto-a, também com tristeza, mas não sinto o mesmo por ti.
Ultrapassámos o limite do conhecimento que permite amar. Mas sinto-te amigo, embora não aceite o teu amor. Talvez estejas a confundir a amizade aberta, livre de deveres de cerimónia e de falsas solidariedades, com esta liberdade de nos odiarmos metade do dia e de nos gostarmos na outra, sem nos sentirmos culpados por isso. Talvez estejas com vontade de te sentir menos só, nas tuas horas que me parecem sempre tão monocórdicas. Mas não posso fingir que te amo, porque não merecemos este engano.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Memórias

Há cenários que se repetem ao longo da vida e constroem o nosso cemitério de memórias. A morte eterniza porque não nos permite modificar nada. A vida é o momento certo para sepultar o que rejeitamos, antes de se tornar memória.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Enganos

É o final da semana e o início da ilusão. É como tirar a trela ao cão, como acreditar na democracia, como desejar sentir felicidade. É como acreditar na liberdade. O facto de existir é pura limitação.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Assim não vale

O calor ainda agora chegou e anseio pelos dias tenebrosos das chuvas. Faço planos que de nada servem para afastar o vento quente que teima em anunciar o Verão, como se fosse realmente necessário publicitá-lo. Sei que basta sair e atravessar a distância que me separa da praia, mas não tenho fôlego. Vou tentar acreditar que estamos todos felizes, banhados pelo suor que o corpo rejeita. Resta-me esperar pela noite. Até lá, invento histórias de princesas que teimam em viver em castelos de areia e se apaixonam por homens de turbante montados em camelos e que adoram atravessar desertos como se de florestas verdejantes se tratassem. Talvez encontre um lago com peixes de todas as cores que se transformam em cascatas quando pescados. Ou uma gruta que conduza a um Óasis exactamente igual ao das figuras das revistas que as Testemunhas de Jeová distribuem. Essas passam por cá e parece que não notam que o sol é tórrido e as cigarras cantam desesperadas e os pássaros se escondem por debaixo das folhas mais largas das árvores. Talvez me falte fé. Mas o que eu queria mesmo era sentir a brisa do mar, sem ter de atravessar o deserto. Assim não vale.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Alucinante...

Alucinantes são aqueles dias em que falamos sobre o que não queremos, estamos com quem não queremos estar, fazemos o que não pensávamos fazer e depois de tudo ter acontecido até nem nos pareceu assim tão mau.
Alucinante é (também) quando acontece exactamente o contrário: é delicioso recordar quando fomos expectantes para uma dada situação (tal como se fossemos dar uma dentada numa torrada banhada de compota de morango) e voltamos defraudados, feridos pelo encontro com uma realidade que não foi assim imaginada...
Pungente!
Ainda não sei qual das duas situações prefiro, mas acho que a segunda. Já vos tinha falado da minha paixão por Platão, lembram-se (o post é longo, eu sei...)?
É que na primeira situação a sensação dominante é a surpresa. E ponto final parágrafo. Na segunda é uma série delas: a estupefacção, o desalento, uma dor profunda no peito e uma bola de ar que se instala na garganta. E o riso. O riso profundo de cada vez que nos lembramos do ridículo da nossa posição, das nossas expectativas, de estar onde ninguém mais quer que estejamos, a não ser nós próprios e a nossa teimosia. Suponho que isto se define por "fazer a festa e lançar os foguetes".
Um must!