terça-feira, 10 de junho de 2008

Assim não vale

O calor ainda agora chegou e anseio pelos dias tenebrosos das chuvas. Faço planos que de nada servem para afastar o vento quente que teima em anunciar o Verão, como se fosse realmente necessário publicitá-lo. Sei que basta sair e atravessar a distância que me separa da praia, mas não tenho fôlego. Vou tentar acreditar que estamos todos felizes, banhados pelo suor que o corpo rejeita. Resta-me esperar pela noite. Até lá, invento histórias de princesas que teimam em viver em castelos de areia e se apaixonam por homens de turbante montados em camelos e que adoram atravessar desertos como se de florestas verdejantes se tratassem. Talvez encontre um lago com peixes de todas as cores que se transformam em cascatas quando pescados. Ou uma gruta que conduza a um Óasis exactamente igual ao das figuras das revistas que as Testemunhas de Jeová distribuem. Essas passam por cá e parece que não notam que o sol é tórrido e as cigarras cantam desesperadas e os pássaros se escondem por debaixo das folhas mais largas das árvores. Talvez me falte fé. Mas o que eu queria mesmo era sentir a brisa do mar, sem ter de atravessar o deserto. Assim não vale.

2 comentários:

AC disse...

Por outro lado, com os desertos te crias. Perdem os sentidos mas ganha a arte :)

Beijo salgado

Sofia disse...

Apanhei o camelo às 17, saí de dentro de água às 19:30... Suponho que se houver arte, será num novo estilo: "arte lavada".
Não agradeço a visita, porque não comentei no intuito de ser visitada, mas é óbvio que gostei.