Sensações efémeras
Estudadas pela vaidade
Dadas gratuitamente
Unicamente pelo prazer
Corrompido da mente
Ampliação da realidade
Ocultação da culpa
quarta-feira, 28 de maio de 2008
sexta-feira, 23 de maio de 2008
Aos que amam
Amem
e deixem os outros em paz,
livres do vosso amor.
Não quero saber do amor
dos outros:
não o cantem
não o escrevam
Façam-no acontecer!
Não quero ler as vossas
cartas de amor
(ridículas)
nem os vossos poemas
(ridículos)
nem saber dos vossos desejos
(ridículos)
nem das vossas saudades
(ridículas)
nem das lágrimas
(ridículas)
que vertem em desespero,
na solidão que só sente
quem procura o que não existe.
Porque se existe
não é carta
nem poema
nem desejo
nem saudade
nem lágrimas
nem desespero
nem solidão.
É amor.
e deixem os outros em paz,
livres do vosso amor.
Não quero saber do amor
dos outros:
não o cantem
não o escrevam
Façam-no acontecer!
Não quero ler as vossas
cartas de amor
(ridículas)
nem os vossos poemas
(ridículos)
nem saber dos vossos desejos
(ridículos)
nem das vossas saudades
(ridículas)
nem das lágrimas
(ridículas)
que vertem em desespero,
na solidão que só sente
quem procura o que não existe.
Porque se existe
não é carta
nem poema
nem desejo
nem saudade
nem lágrimas
nem desespero
nem solidão.
É amor.
segunda-feira, 19 de maio de 2008
Abandono
quinta-feira, 15 de maio de 2008
Saudade
Insatisfação profunda
Por não ter o que se deseja
Refúgio da matéria
Do que existe e não satisfaz
Narcisismo de quem tem a coragem
De pensar que faz falta
Teimosia em querer o que se não tem
Medo de perder o que não é pertença
Resistência à mudança que aí vem
Lamento lúgubre
Quando o amor não retém
Por não ter o que se deseja
Refúgio da matéria
Do que existe e não satisfaz
Narcisismo de quem tem a coragem
De pensar que faz falta
Teimosia em querer o que se não tem
Medo de perder o que não é pertença
Resistência à mudança que aí vem
Lamento lúgubre
Quando o amor não retém
segunda-feira, 12 de maio de 2008
Há dias assim
Há dias sem palavras.
Dias que sentem tanto
que nada dizem.
Dias sem horas,
sem começo nem fim.
Dias eternos.
Há dias assim.
Dias que sentem tanto
que nada dizem.
Dias sem horas,
sem começo nem fim.
Dias eternos.
Há dias assim.
quinta-feira, 8 de maio de 2008
Caminheiro
Levantas-te
sais de casa e deixas-te abraçar pelo sol
caminhas pelos trilhos tanto percorridos
e ainda tão desconhecidos.
Cumprimentas as árvores
e os pássaros que nelas vivem
as pessoas que por ti passam
e que ao sol também caminham.
E fundes-te na vida.
Porque dos dias vindouros
nada sabes
e quando souberes
vindouros já não serão.
Porque tu nada importas
para o que te rodeia
se de tudo não fizeres parte
na medida exacta de todas as outras coisas.
Porque o saber de nada vale
se nos afastar do mundo,
se nos fizer sentir melhores
dos que nada sabem.
Porque esses não existem:
Existe apenas a nossa cegueira.
Se assim caminhares pela vida, valorizando tudo o que encontras, valorizas também as tuas decisões, passadas, presentes e futuras, e deixas de ter medo de viver. Porque a plantinha que pisaste ao passar sabia que iria ser pisada: se não resistir ao estrago voltará a nascer na próxima primavera. Porque não foi a plantinha que morreu, apenas o que tu conheces dela. Porque nada na vida depende de ti: apenas tu próprio.
sais de casa e deixas-te abraçar pelo sol
caminhas pelos trilhos tanto percorridos
e ainda tão desconhecidos.
Cumprimentas as árvores
e os pássaros que nelas vivem
as pessoas que por ti passam
e que ao sol também caminham.
E fundes-te na vida.
Porque dos dias vindouros
nada sabes
e quando souberes
vindouros já não serão.
Porque tu nada importas
para o que te rodeia
se de tudo não fizeres parte
na medida exacta de todas as outras coisas.
Porque o saber de nada vale
se nos afastar do mundo,
se nos fizer sentir melhores
dos que nada sabem.
Porque esses não existem:
Existe apenas a nossa cegueira.
Se assim caminhares pela vida, valorizando tudo o que encontras, valorizas também as tuas decisões, passadas, presentes e futuras, e deixas de ter medo de viver. Porque a plantinha que pisaste ao passar sabia que iria ser pisada: se não resistir ao estrago voltará a nascer na próxima primavera. Porque não foi a plantinha que morreu, apenas o que tu conheces dela. Porque nada na vida depende de ti: apenas tu próprio.
terça-feira, 6 de maio de 2008
Platão
"Pessoas normais falam sobre coisas, pessoas inteligentes falam sobre ideias, pessoas medíocres falam sobre pessoas". Platão
Esta é uma frase que me apetece "jogar à cara" de muita gente, várias vezes ao dia. Só não o faço porque depois sentir-me-ia obrigada a falar só sobre ideias, o que não me seria agradável de todo...
Platão foi, sem dúvida, um grande filósofo: teve a grande ousadia de "publicar" o pensamento socrático e a partir do mestre concebeu, naturalmente, o seu próprio entendimento do mundo.
A interpretação póstuma do seu pensamento é por vezes bastante limitada e suponho que Platão não concordaria com grande parte do que por aí se passeia. E como não tenho público nem pretendo vir a ter, vou brincar um bocadinho com as ideias de Platão... e se por acaso alguém ler este post, peço desde já desculpa pelas imprecisões filosóficas, mas sou de facto amadora da filosofia, o que me concede o direito de não dizer verdades absolutas.
Aqueles que, como eu, sentem uma vontade enorme em estupidificar os outros com esta frase, não estão mais do que a reduzir-se à sua própria mediocridade: o que Platão queria dizer era que devemos procurar a génese das coisas durante toda a nossa existência, a fim de incrementarmos a nossa capacidade de conhecimento e respectivo reconhecimento e esse é um caminho tortuoso, que o próprio deve ter feito também com grande esforço. E existem os três tipos de homem em cada um de nós, permanentemente.
No amor, por exemplo, há quem se contente em pensar na pessoa amada, quando esta não está presente: a ideia é tão completa que é mais forte que a matéria. O que quase sempre acontece, nestes casos, é que a materialização do sentimento nunca consegue ser tão satisfatória quanto a ideia correspondente, o que acaba por impossibilitar a relação. Penso que todos nós conhecemos exemplos semelhantes. Também penso que todos nós preferimos ser pessoas comuns e falar e praticar este tipo de coisas, em vez de ficarmo-nos pela ideia ...
Esta é uma frase que me apetece "jogar à cara" de muita gente, várias vezes ao dia. Só não o faço porque depois sentir-me-ia obrigada a falar só sobre ideias, o que não me seria agradável de todo...
Platão foi, sem dúvida, um grande filósofo: teve a grande ousadia de "publicar" o pensamento socrático e a partir do mestre concebeu, naturalmente, o seu próprio entendimento do mundo.
A interpretação póstuma do seu pensamento é por vezes bastante limitada e suponho que Platão não concordaria com grande parte do que por aí se passeia. E como não tenho público nem pretendo vir a ter, vou brincar um bocadinho com as ideias de Platão... e se por acaso alguém ler este post, peço desde já desculpa pelas imprecisões filosóficas, mas sou de facto amadora da filosofia, o que me concede o direito de não dizer verdades absolutas.
Aqueles que, como eu, sentem uma vontade enorme em estupidificar os outros com esta frase, não estão mais do que a reduzir-se à sua própria mediocridade: o que Platão queria dizer era que devemos procurar a génese das coisas durante toda a nossa existência, a fim de incrementarmos a nossa capacidade de conhecimento e respectivo reconhecimento e esse é um caminho tortuoso, que o próprio deve ter feito também com grande esforço. E existem os três tipos de homem em cada um de nós, permanentemente.
No amor, por exemplo, há quem se contente em pensar na pessoa amada, quando esta não está presente: a ideia é tão completa que é mais forte que a matéria. O que quase sempre acontece, nestes casos, é que a materialização do sentimento nunca consegue ser tão satisfatória quanto a ideia correspondente, o que acaba por impossibilitar a relação. Penso que todos nós conhecemos exemplos semelhantes. Também penso que todos nós preferimos ser pessoas comuns e falar e praticar este tipo de coisas, em vez de ficarmo-nos pela ideia ...
domingo, 4 de maio de 2008
Entardecia
Entardecia.
Na imensidão da praia o mar balouçava-se.
Andei pelo pontão de madeira na areia e ouvi os meus passos. Um som até agora desconhecido, uma melodia minha e única.
E bela.
Mesmo atrás de mim, também voltada para o mar,
a serra.
Na imensidão da praia o mar balouçava-se.
Andei pelo pontão de madeira na areia e ouvi os meus passos. Um som até agora desconhecido, uma melodia minha e única.
E bela.
Mesmo atrás de mim, também voltada para o mar,
a serra.
Liberdade II
O vento sopra continuamente pela avenida. As árvores agradecem a aragem e sacodem as folhas numa atitude livre, espontânea. Eu sigo pela avenida, também. O meu movimento é igual ao do vento: a direcção é a mesma.
O sol bate-me no pescoço, aquece-me a alma. E penso em ti. Penso sempre em ti. Com a velocidade dos meus passos, com a continuidade da paisagem que passa ao meu lado.
Surgiste como o vento: do nada. E eu agradeço a tua presença: sinto-me acompanhada. Descemos a Avenida de mãos dadas, por vezes abraçamo-nos. Mais do que a tua presença, sinto o conforto de te ter em mim.
Estarei apaixonada? Talvez. Esta resposta não interessa. Não há necessidade de ter consciência deste estado de espírito - é bom quando apenas sentimos algo, sem qualquer preocupação em identificá-lo. Ser livre é mesmo isso: é viver sem qualquer identificação, sem se preocupar em especificar o estado das coisas no nosso íntimo, é ter a coragem de sentir sem qualquer preconceito ou predefinição, sem querer perguntar ao ego se pode ser sentido.
Daí que somente o presente conte; que apenas o momento em que apanho o vento seja verdadeiro, tenha interesse em fazer-se sentir.
O sol bate-me no pescoço, aquece-me a alma. E penso em ti. Penso sempre em ti. Com a velocidade dos meus passos, com a continuidade da paisagem que passa ao meu lado.
Surgiste como o vento: do nada. E eu agradeço a tua presença: sinto-me acompanhada. Descemos a Avenida de mãos dadas, por vezes abraçamo-nos. Mais do que a tua presença, sinto o conforto de te ter em mim.
Estarei apaixonada? Talvez. Esta resposta não interessa. Não há necessidade de ter consciência deste estado de espírito - é bom quando apenas sentimos algo, sem qualquer preocupação em identificá-lo. Ser livre é mesmo isso: é viver sem qualquer identificação, sem se preocupar em especificar o estado das coisas no nosso íntimo, é ter a coragem de sentir sem qualquer preconceito ou predefinição, sem querer perguntar ao ego se pode ser sentido.
Daí que somente o presente conte; que apenas o momento em que apanho o vento seja verdadeiro, tenha interesse em fazer-se sentir.
Liberdade I
Num dia feio e sem sol uma garça poisou no meu jardim. Tão branca, tão bela, tão livre, pareceu-me. Apenas cumpria o seu desejo: eis o seu conceito de liberdade.
E em liberdade fazia o mesmo que as outras garças.
Eu tenho opção, não sigo nenhum caminho, nenhuma tradição ou ritual me é imposto. Então porque não me sinto livre?
Livre como a Garça, que certamente livre não seria, se questionasse a sua liberdade.
E em liberdade fazia o mesmo que as outras garças.
Eu tenho opção, não sigo nenhum caminho, nenhuma tradição ou ritual me é imposto. Então porque não me sinto livre?
Livre como a Garça, que certamente livre não seria, se questionasse a sua liberdade.
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