O vento sopra continuamente pela avenida. As árvores agradecem a aragem e sacodem as folhas numa atitude livre, espontânea. Eu sigo pela avenida, também. O meu movimento é igual ao do vento: a direcção é a mesma.
O sol bate-me no pescoço, aquece-me a alma. E penso em ti. Penso sempre em ti. Com a velocidade dos meus passos, com a continuidade da paisagem que passa ao meu lado.
Surgiste como o vento: do nada. E eu agradeço a tua presença: sinto-me acompanhada. Descemos a Avenida de mãos dadas, por vezes abraçamo-nos. Mais do que a tua presença, sinto o conforto de te ter em mim.
Estarei apaixonada? Talvez. Esta resposta não interessa. Não há necessidade de ter consciência deste estado de espírito - é bom quando apenas sentimos algo, sem qualquer preocupação em identificá-lo. Ser livre é mesmo isso: é viver sem qualquer identificação, sem se preocupar em especificar o estado das coisas no nosso íntimo, é ter a coragem de sentir sem qualquer preconceito ou predefinição, sem querer perguntar ao ego se pode ser sentido.
Daí que somente o presente conte; que apenas o momento em que apanho o vento seja verdadeiro, tenha interesse em fazer-se sentir.
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