sábado, 5 de novembro de 2011

Duas mãos, uma estrada

Juntemos as mãos. O entrelaçar dos nosso dedos espelha o corpo que tomamos, fala nas palavras que formamos. A vida que somos mistura-se nas cores das coisas, nos sons do espaço que habitamos. Os cheiros que nos perfumam abrem caminhos sem dor, que percorremos sem cansaço.
Soltemos lágrimas sem tristeza e riso sem contentamento, numa existência não qualificada. Sejamos alegria e desalento, numa total nudez sem remorso. Amemo-nos sem a denúncia de o fazer, na negação necessária à felicidade, acompanhando a inconstância do perpétuo movimento.
Danço a música que és, a vida que sentes. E não me denuncio.
E eis que nasce o dia.
De mãos vazias, dou vida ao vazio do nada. Construo a minha estrada, ao ritmo dos sons que interpreto, que reconheço, vindos das profundezas da memória. Nada sou senão estímulo. E parto cada dia de um ponto diferente, rumo à floresta encantada que tenho pela frente.

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